Cirque du Soleil e a Cultura da Convergência

August 4, 2017 | Autor: J. Rosa Machado | Categoria: Transmedia Storytelling, Comunicação, Convergence Culture, Comunicação Social
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Universidade FEDERAL de Goiás
fACULDADE DE iNFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
TEORIAS DA COMUNICAÇÃO II






FERNANDA LICA, GABRIELA BALIEIRO, JÚLLIA ROBERTHA, LARA ALVES E MARIANA RODRIGUES


as influências da cultura da convergência sobre as produções artísticas do cirque du soleil no contexto transmidiático

Trabalho elaborado para a disciplina de Teorias da Comunicação II – para fim avaliativo parcial de N2.
Prof.ª Dra. Lindsay Borges




Goiânia – GO
2014
A História do Cirque du Soleil
Fundado há 30 anos por dois artistas de rua - Guy Laliberté e Daniel Gauthier, em Baie-Saint-Paul, uma pequena cidade do Canadá, o Cirque du Soleil até hoje é uma referência quando o assunto é criatividade e inovação. Porém, foi após inúmeras tentativas e fracassos que o circo conseguiu realizar sua primeira turnê nacional: "Le Grand Tour du Cirque du Soleil", financiada pelo governo canadense. Ela começou em 1984, na celebração do 450º aniversário da descoberta do Canadá por Jacques Cartier. Daí para frente, a companhia nunca mais parou. De 1984 a 2014, o Cirque du Soleil expandiu-se rapidamente. De 73 artistas passou a contar com mais 4 mil funcionários, entre eles, aproximadamente, 1300 artistas de mais de 40 países distintos. Produzindo entretenimento de alto valor artístico, a companhia possui mais de 22 espetáculos fixos e para turnês ao redor do mundo, já tendo passado por países como Japão, Espanha, Brasil e República Eslovaca. As performances têm influências do teatro mambembe, do balé, do rock, da ópera além, é claro das próprias práticas circenses.
Inovações e Conteúdo exclusivo para a internet
As inovações do Cirque começaram já no início da companhia. A primeira medida foi a retirada da cortina que separava atores e plateia, a fim de integra-los aos shows. Criaram também um ambiente onde o artista não saísse do personagem até o fim das apresentações, para dar maior veracidade à magia ali transmitida. A ausência de picadeiro e não utilização de animais nas apresentações, na concepção dos criadores, tem como objetivo a aproximação e concentração maior do espectador. Os grandes espetáculos do Cirque du Soleil já ganharam diversas premiações, como o Bambi, Rose d'Or e o Emmy. Em 2004, o circo recebeu a 22º colocação na lista de nomes que mais impactavam globalmente, segundo a Interbrand – instituição que trabalha com marcas globais. Todas as premiações e nomeações refletem a magnitude que o circo adquiriu ao longo dos anos, podendo ser considerada uma das maiores empresas no ramo de entretenimento. Relevância essa que, só pôde ser atingida, porque o Cirque du Soleil tem uma incrível capacidade de renovação e adaptação. Suas performances que antes eram acessíveis apenas àqueles que compravam um ingresso para o espetáculo e, posteriormente, para quem adquirisse um CD ou DVD das apresentações, desde o dia 22 de setembro deste ano está também disponível na internet em conteúdo exclusivo.
O clipe lançado na web utiliza drones – equipamento sem fio voador largamente usado como filmadora- de forma artística. Eles foram caracterizados e adquiriram aparência de abajures que, em uma velha loja de um eletricista, dançam no ar. Os movimentos executados pelos drones demoraram três dias para serem sincronizados aos movimentos do artista que contracena com eles. Para a realização desse vídeo não foram usados efeitos especiais, apenas a colaboração de uma empresa suíça especializada nos tais equipamentos flutuantes.
É possível perceber que os conteúdos circulantes tanto na televisão, nos espetáculos ao vivo, nos DVDs e CDs, bem como na internet estão relacionados, porém, são independentes entre si. E que, no contexto em que vivemos de cultura da convergência (JENKINS, 2009), os conteúdos disponibilizados pelo Cirque du Soleil deixam de obedecer apenas às velhas regras das mídias tradicionais e se cruzam também nas mídias alternativas, promovendo uma integração única entre produtores e consumidores de conteúdo. Fatos esses que acabam por desenvolver a chamada cultura participativa (JENKINS, 2009, p.30). Esses e outros assuntos serão melhor abordados nos tópicos seguintes.
Cirque du Soleil no contexto da cultura de convergência
As diversas transformações tecnológicas, mercadológicas, sociais e culturais observadas na contemporaneidade dos meios de comunicação podem ser entendidas através do conceito de cultura da convergência. Henry Jenkins (2009) define convergência como:
Fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, à cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação, que vão a quase qualquer parte em busca das experiências de entretenimento que desejam.
A capacidade das mídias tradicionais de se relacionarem com as novas mídias e com os consumidores, que apresentam um perfil agora ativo, caracteriza a convergência. Esse consumidor se livra da passividade e ganha voz e vontade no processo de produção de conteúdo. A possibilidade de dinamicidade e interatividade de conteúdos na internet é atraente aos olhos do usuário e, isso, faz com que toda a produção de conteúdo seja de acordo com seus desejos. A não percepção desta nova dinâmica gera a perda de audiência, já que o consumidor tem outras diversas opções de conteúdo à distância de um clique.
Muitas empresas já se atentaram à importância de inserção na rede e de estabelecer um bom relacionamento com seu cliente nesta plataforma. Como já citado anteriormente, o Cirque du Soleil é uma delas. Com a produção e o lançamento do curta Sparked, exclusivamente para o canal no Youtube do circo, a companhia cria uma forma nova de interação com seu público e prospects. A liberação do conteúdo gratuito na plataforma online traz a possibilidade de alcançar muito mais que as 15 milhões de pessoas que assistem aos espetáculos presenciais anualmente, pois a internet é acessada por 3 bilhões de pessoas (UIT, 2014). Além dessa oportunidade, existe também a criação de uma experiência para os já clientes, que tem a chance de ter mais um pedacinho da fantasia vivida no espetáculo, mas nada que eles já tenham visto.
Portanto, a cultura da convergência se configura como o uso das velhas e novas mídias, além da utilização das opiniões dos usuários e compradores para a produção de uma narrativa transmidiática.
Narrativas transmidiáticas e a promoção de uma cultura participativa.
As narrativas transmidiáticas devem ser vistas como uma consequência da convergência das mídias. A utilização de diversos tipos de textos para a formulação de uma narrativa tão abrangente que não pode ser limitada a uma mídia apenas é o que define a transmidiatização. Apesar de acontecer em mais de uma plataforma, o conteúdo transmidiático não deve ser o mesmo em todos os ambientes. Cada texto deve contribuir de forma a agregar diferentes conceitos ao contexto geral. Jenkins (2009) afirma que:
Na forma ideal de narrativa transmídia, cada meio faz o que faz de melhor – a fim de que uma história possa ser introduzida num filme, ser expandida pela televisão, romances e quadrinhos; seu universo possa ser explorado em games ou experimentado como atração de um parque de diversões. Cada acesso à franquia deve ser autônomo, para que não seja necessário ver o filme para gostar do game, e vice-versa.
Se a narrativa transmídia é uma consequência da convergência, a promoção da cultura participativa também deve ser vista desta forma. A produção de conteúdos interativos e dinâmicos na rede atraem o público contemporâneo para o meio digital. A possibilidade de não só assistir mas ressignificar o produto é tentadora demais para recusar. De acordo com Jenkins (2009), o usuário vê a "Internet como um veículo para ações coletivas - soluções de problemas, deliberação pública e criatividade alternativa".
A perspectiva da internet como meio de mobilização social, cultural e política faz com que o público saia da condição de receptor e passe a ser produtor de cultura também. Com isso, o usuário ao assistir uma produção, tem a liberdade de usar sua criatividade para construir uma extensão autônoma do objeto inicial, como as fanfics e os fanfilms. E, ao postarem na rede, há a chance de compartilhamento e interação com outros usuários interessados no mesmo segmento, o que gera uma inteligência coletiva entre os públicos com os mesmos interesses.
Cultura da convergência e seus efeitos na comunicação.
A cultura da convergência traz uma necessidade das organizações se manifestarem de diversas formas na rede. Para estabelecer um relacionamento com seu cliente ou até mesmo gerenciá-lo, a empresa tem que se atentar para o lugar que seu público se encontra e, então, bombardeá-lo de todos os lados. A participação das marcas em todas as mídias, tanto nas antigas e novas quanto no conteúdo criado pelo público e nas mídias sociais, é essencial para que haja a convergência. Mas somente a presença em todas as plataformas disponíveis na rede não garante êxito na realidade em que vivemos, pois não há espaço para mesmices. Augusto Kneipp, da agência publicitária Look 'n Feel, diz que "Basta sabermos diferenciar em quais canais devemos abordar determinado conteúdo, e conseguir conectá-los de maneira a coexistirem independentemente mas ao mesmo tempo serem parte de um todo".
A sociedade interligada em rede potencializa a circulação de informações advindas das estruturas das redes e do aumento de mídias baseadas em plataformas de linguagens digitais. Portanto, ocorre a ampliação das possibilidades da relação emissor – receptor, como o surgimento de um diálogo global que obriga novas percepções sobre os públicos. Compete ao profissional de comunicação, no caso o Relações Públicas, criar estratégias para a formulação de narrativas transmídias para incitar o engajamento com sua empresa. E, para que as estratégias funcionem, é necessário seguir três passos: planejamento, monitoramento e criatividade.
O Cirque du Soleil é um exemplo de como um alinhamento entre a assessoria de comunicação com a alta cúpula da instituição só tem benefícios a trazer. A companhia possui uma assessoria de comunicação, que dispõe seus profissionais de Relações Públicas para diversas áreas da empresa, como Comunicação Interna, Merchandising e desenvolvimento de produtos, Marketing e a própria assessoria (Área de Assuntos Públicos). A criação de um conteúdo transmidiático na forma do curta Sparked nasceu do trabalho em equipe dos departamentos de criação artística e de comunicação. O sucesso do conteúdo na internet legitima a importância de um planejamento comunicacional para o desenvolvimento de estratégias que solidifiquem a marca. Portanto, a cultura da convergência na comunicação, principalmente nas Relações Públicas, é o uso das novas e das tradicionais mídias, como a utilização da capacidade dos prospects e usuários, para criar uma narrativa transmídia, visando o engajamento e fortalecimento da instituição que representa.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CIRQUE du Soleil. Jobs. 2014. Disponível em: https://www.cirquedusoleil.com/en/jobs/recruitment/home.aspx. Acesso em: 01 dez. 2014.
JENKINS, Henry. A Cultura da Convergência. Tradução: Susana Alexandria. 2. ed. São Paulo: Aleph, 2009.
KNEIPP, Augusto. Que Cultura da Convergência é essa que estamos inseridos? 2013. Disponível em: http://www.agencialooknfeel.com.br/blog/cultura-da-convergencia/. Acesso em: 01 dez. 2014.
SCHELIGA, Luiza. Cirque du Soleil lança 1º vídeo na internet e usa drones em coreografia. Edição: Renato Nogueira Neto e Paulo Ferreira. Rio de Janeiro, 2014. Disponível em: http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2014/09/cirque-du-soleil-lanca-1-video-na-internet-e-usa-drones-em-coreografia.html. Acesso em: 01 dez. 2014
SPARKED: A Live Interaction Between Humans and Quadcopters. Zurique, 2014.





O Bambi é uma premiação alemã anual que elege os melhores do entretenimento.
Rose d'Or ( Rosa de Ouro) é um prêmio suíço entregue anualmente desde 1961 para consagrar os melhores programas da televisão e do entretenimento do mundo.
O Emmy é uma premiação anual da Academia de Televisão, Artes e Ciências dos EUA que elege melhores em diversas categorias artísticas e televisivas.

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