Linguística queer e projetos políticos de \"representação\"

May 31, 2017 | Autor: I. Santos Filho | Categoria: Queer Theory, Lingüística, Teoría Queer, Linguistica aplicada, Queer Linguistics, Linguística Queer
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LINGUÍSTICA QUEER E PROJETOS POLÍTICOS DE “REPRESENTAÇÃO” Prof. Dr. ISMAR INÁCIO DOS SANTOS FILHO Curso de Letras-Campus do Sertão/UFAL [email protected] Resumo: Em 2016, tivemos a publicação da reportagem “Amigues para sempre”, na revista Veja, e a veiculação de um filme comercial da Avon que conclui a propaganda com “todes se orgulham”, textos que participam das discussões sobre gênero, sex(o)ualidade, ou melhor, participam das tensões morais/sexuais que vivenciamos nesse tempo de uma superdiversidade identitária (ou seria melhor de uma “multidão queer”?). Esses textos e tais usos linguísticos visam dar vida a sentidos e sujeitos, visam reconhecer [email protected] [email protected] como vá[email protected], [email protected] da condição de precariedade imposta pela cultura heteronormativa. Mas, se olharmos para o filme comercial do desodorante old spice, campanha publicitária lançada em 2015, compreendemos que, de modo diferente, esse intenta reconhecer determinados homens como viáveis, o “homem homem”, e outros como matáveis, certamente o que considerariam um “homem não-homem”. Dessa maneira, devemos apreender que é na e pela língua(gem) que homens e mulheres, em suas diversas sexualidades, são construí[email protected], e que a língua(gem) não apenas @s etiqueta, não apenas @s representa, e que todo e qualquer projeto de “representação”, como os mencionados, são projetos políticos de construção, manutenção e até destruição de pessoas. Nessa reflexão, embasam-nos os pressupostos da Linguística Queer, com Borba (2006; 2015), Butler (1990; 2003; 2009; 2011; 2015), Lívia e Hall (1997; 2010) e Santos Filho (2012, 2015a, 2015b, 2015c). Em tais pressupostos, compreendemos que a representação é impossível, já que uma relação direta entre língua(gem) e um possível referente não se efetiva, e que todo projeto de representação é um exercício performativo, pois é na língua(gem) que as pessoas ganham vida, no sentido de que “dizer é fazer”. Nesse bojo de questões, objetivamos nesse minicurso tecer considerações iniciais acerca da Linguística Queer, historicizando seu nascimento, discutindo sobre seu objeto de estudos, a relação entre língua(gem), significados, pessoas e identidade, problematizando sua filiação epistemológica e seus pressupostos metodológicos, utilizando-nos, para tal, de textos públicos, como os aqui citados, numa postura dialógica entre professor e cursistas. Palavras-chave: Linguística Queer; Gênero e sexualidade; Performatividade.

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