O uso do Facebook para a narrativa transmídia na webrádio: Potencial para a educação

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PPGCOM ESPM // SÃO PAULO // COMUNICON 2014 (8 a 10 de outubro 2014)

O Uso Do Facebook Para A Narrativa Transmídia Na Webrádio: Potencial Para A Educação1 Johan Cavalcanti van Haandel2 Universidade de Aveiro / Universidade do Porto Fernando Manuel dos Santos Ramos3 Universidade de Aveiro

Resumo Atualmente as transmissões radiofônicas podem ser acessadas em diferentes formas, entre elas está o acesso por meio da Internet, que se materializa na figura da webrádio. Suas produções utilizam a web para a transmissão de conteúdo e também como ferramenta para a interação, na qual as redes sociais emergem como pólo importante, as quais são também utilizadas para narrativa transmídia feita pelas emissoras. Este artigo tem como objetivo discutir o potencial educativo da rede Facebook para conteúdos radiofônicos que utilizam a narrativa transmídia, observando a contribuição da Internet e de suas redes sociais para a educação e como o Facebook pode ser utilizado para fins educacionais em webrádios que utilizam a narrativa transmídia. Palavras-chave: Webrádio; Narrativa transmídia; Rede social na Internet; Facebook;

1. Introdução

No âmbito das transmissões radiofônicas, vivemos uma era que está pautada na multiplicidade de oferta, como defendem os professores César Bolaño e Valério 1

Trabalho apresentado no Grupo de Trabalho 08 - Comunicação, educação e consumo, do 4º Encontro de GTs - Comunicon, realizado nos dias 08, 09 e 10 de outubro de 2014. 2 Doutorando em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais (ICPD) pela Universidade de Aveiro e pela Universidade do Porto. Bolsista CAPES de doutorado pleno no exterior. Processo BEX: 1186124. E-mail: [email protected] 3 Professor catedrático do Departamento de Comunicação e Arte (DECA) da Universidade de Aveiro. Membro do CETAC.MEDIA ‐ Centro de Estudos das Tecnologias e Ciências da Comunicação. Email: [email protected]

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Brittos (2007, p.247), os quais afirmam que este quadro foi aberto na década de 1990, quando passou a ocorrer um aumento dos novos agentes e a emergência de novas formas de difusão de conteúdo radiofônico, como a distribuição por meio de satélites, cabos ou pela Internet. Estes novos processos de distribuição derivam da digitalização, ação que consiste em transformar grandezas físicas, como, por exemplo, o som, em dados binários 4 . Entre os processos de transmissão que foram possibilitados pela digitalização está o webcasting, que para Priestman (2006, p.250) é um termo genérico para a transmissão na Internet de conteúdo de áudio ou vídeo por meio de um software de streaming 5 e com o acompanhamento de um texto hospedado em um website. Nos sistemas multimédia todos [os] media são representados sob a forma digital, isto é, são codificados por meio de dígitos binários ou bits. Contudo, eles distinguem-se entre si, pois a interpretação que é dada aos dígitos binários varia conforme a natureza de sua apresentação. [...] Em multimédia, diz-se que áudio e imagem são dois tipos de informação multimédia [...] distintos, pois a natureza de sua apresentação é igualmente distinta (RIBEIRO, 2012, p.6-7).

Desta forma, os conteúdos multimídia que se apresentam por meio do processo do webcasting, de acordo com sua natureza, podem ser entendidos como sonoro ou de som e imagem, em que o diferencia os dois é a interpretação de seu conteúdo, em que em um observa-se os conteúdos audiovisuais (webcasting de som e imagem) e no outro foca-se o áudio produzido (webcasting sonoro), em que o foco é entendido como ênfase no áudio, que é considerado o seu conteúdo principal (cf. VAN HAANDEL, 2009). 4

Em relação à representação digital, possibilitada pela digitalização, Ribeiro e Torres (2009, p.104105) citam algumas vantagens e desvantagens. Como vantagens mais marcantes temos a representação digital, que traz a universalidade da representação, a permissão da utilização do mesmo dispositivo de armazenamento para a totalidade das mídias e a utilização de qualquer sistema de comunicação que transfira informação digital. Como desvantagem mais marcante temos a possibilidade da emergência de distorções oriundas do processo de conversão analógico-digital. 5 De acordo com Dan Rayburn (2007, p.3), o termo streaming na lingua inglesa é geralmente utilizado para qualquer conteúdo de áudio ou vídeo que é distribuído pela Internet. Este autor esclarece que a tecnologia streaming é apenas uma das estratégias existentes para a entrega de áudio ou vídeo por meio da Internet.

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Entre os formatos do webcasting sonoro está a webrádio, que pode ser compreendida como o formato pelo qual o conteúdo radiofônico é distribuído pela Internet (id.). A webrádio funciona com uma “tecnologia de 'troca de pacotes'” (PRIESTMAN, 2006, p.54), em que carrega-se um pacote enquanto lê-se o que foi carregado anteriormente e assim sucessivamente. Este formato, além de distribuir o áudio contínuo e em tempo real do rádio, também explora elementos visuais-verbais, com os quais apresenta conteúdos como textos, fotos, vídeos entre outros. Para Priestman (2006, p.136-137) há uma diferença fundamental entre a radiodifusão e o webcasting: A primeira é uma tecnologia que 'empurra' conteúdo, com os produtores elaborando um conteúdo que preenche os espaços dos conteúdos que são oferecidos ao consumidor; a segunda é uma tecnologia do tipo que oferece conteúdos para 'puxar', em que são elaborados conteúdos e disponibilizados para serem acessados ou não pelos consumidores. Este pesquisador defende que being based on the infraestructure of the one to one phone network is inherently a horizontal technology. It is difficult (though not impossible [...]) to envisage it in a vertical form. So, those who want to make use of web radio successfully need to understand and adapt their operations to the horizontal way of thinking [...] 6 (PRIESTMAN, 2006, p.13).

Uma das novas características que emergem nas transmissões radiofônicas pela Internet é o seu caráter agregador: ela convergiu para o seu interior o rádio (por meio da transmissão em streaming direto) e outros tipos de mídia como a revista, o jornal ou a TV. Os dados são acessados por meio de uma interface gráfica, a qual pode ser considerada a própria mensagem, pois ela a caracteriza (cf. BEIGUELMAN, 2005). O conteúdo se apresenta em uma arquitetura própria, não-linear (cf. SANTAELLA, 2004), e apresenta uma linguagem própria, a linguagem de hipermídia (cf. SANTAELLA, 2005), na qual a sua leitura difere da leitura que é feita no suporte fixo. O internauta além de saber escrever e entender o que ouve tem que aprender a “sendo baseada na infrainstrutura um a um da rede telefônica é inerentemente uma tecnologia horizontal. É difícil (apesar de que não impossível [...]) prevê-la em uma forma vertical. Portanto, aqueles que querem fazer uso de webrádio com sucesso precisam entender e adaptar suas operações para a forma horizontal de pensar [...] [Tradução dos autores]. 6

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decifrar os códigos computacionais; em outras palavras, o internauta tem que ser alfabetizado digitalmente, pois ao acessar o ciberespaço o internauta põe em ação habilidades de leitura muito diferentes das utilizadas na leitura de um livro ou na audição do rádio analógico (cf. SANTAELLA, 2004; BEIGUELMAN, 2003). Atualmente as emissoras de rádio, além de montar e manter seus websites na Internet explorando a transmissão de áudio e a disponibilização de diversos outros elementos, também exploram as redes sociais da Internet, como, por exemplo, Facebook e Google+, as quais são usadas como mais um canal de comunicação com a audiência. Emerge, neste cenário, um cenário ou contexto transmídia (RAMOS et al., 2012), entendido pelos autores como um cenário ou contexto no qual são disponibilizados pelas emissoras de rádio em seus canais conteúdos distintos e diversos, mas que se complementam, conceito que foi inspirado no termo narrativa transmídia de Henry Jenkins (2009). Este artigo tem como objetivo discutir o potencial educativo da rede Facebook para conteúdos radiofônicos que utilizam a narrativa transmídia, observando, em um primeiro momento, a contribuição da Internet e de suas redes sociais para a educação, e, em um segundo momento, como o Facebook pode ser utilizado para fins educacionais em webrádios que utilizam a narrativa transmídia.

2. Considerações Sobre O Uso Da Internet E De Suas Redes Sociais Para A Educação Carlos Santos, Luís Pedro e Sara Almeida (2011, p.85) afirmam que “a evolução da web para uma plataforma caracterizada por uma maior abertura e flexibilidade faz prever mudanças na forma como atualmente comunicamos e interagimos com os outros”. De acordo com este autores (id.), no âmbito da educação esta evolução possibilita a criação de novos paradigmas e de novas metodologias de ensino e aprendizagem que promovem o desenvolvimento do conhecimento no percurso da vida do indivíduo por meio da partilha e comunicação. Dentro do âmbito

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da educação há a possibilidade do uso das redes sociais para o ensino e a aprendizagem. Tanto podem ser utilizadas redes de caráter geral, como o Facebook ou o Google+, quanto redes mais restritas, focadas no tema da educação, como, por exemplo, a Reasearch Gate. Burns (2011, p.94) afirma que a adequação de websites de redes sociais, tal qual o Facebook, como ferramenta para o ensino encontra-se em debate em diferentes lugares. Selwyn (2009, p.158) afirma que é um tema controverso. Minhoto e Meirinhos (2011, p.26) defendem que a utilização pedagógica das redes sociais como suporte ao ensino presencial “pode ser vantajosa pois apresentam uma multiplicidade de ferramentas de comunicação e trabalho, que antes eram exclusivas das plataformas de e-learning”. Outra vantagem das redes sociais é que elas possibilitam a criação de um contexto necessário “à aprendizagem colaborativa, pois permitem a partilha de conteúdos em múltiplos suportes” (MINHOTO e MEIRINHOS, 2011, p.32), em que a familiaridade de utilização destas redes por parte da maioria dos alunos faclita a utilização dos recursos de ensino e aprendizagem. Selwyn (2009, p.158) cita vantagens e desvantagens de websites como o Facebook para contexto de ensino e aprendizagem. Entre as vantagens estão a constatação que estudantes investem tempo e energia na construção de relações em torno de assuntos de seu interesse e da construção de comunidades de conhecimento; a possibilidade do estabelecimento de feedback entre os pares; a criação modelos colaborativos que estimulam a participação de outros; e o proporcionamento de uma maior interação entre aluno e professor. Entre as desvantagens estão a possibilidade de criar alienação, de gerar uma desconexão e um desapego entre os estudantes com o estudo e de necessitar algumas habilitações e literacias específicas para utilizar os recursos. De acordo com Burns (2011, p.63), o potencial do e-learning concentra-se em sua habilidade de disponibilizar instrução multicanal abrangendo conteúdos de texto, áudio, imagem e vídeo; fornecer múltiplos formatos para texto, áudio e vídeo para comunicação instantânea e para a colaboração com pares em todo o planeta; e

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oferecer um aprendizado do tipo 'qualquer hora, qualquer lugar', propiciando a quem está aprendendo acesso à Internet.

3. A Utilização Do Facebook Para Fins Educativos Por Webrádios Que Exploram A Narrativa Transmídia

Nos últimos anos as mídias sociais tornaram-se bastante difundidas. Entre elas estão as redes sociais na Internet, espaços virtuais pessoais para a conversa e o compartilhamento, caracterizados pela manutenção de perfis. O rádio na Internet também possibilita o diálogo com estas redes sociais, além de potencializar a interatividade mediada pelo computador por meio de recursos de interação oferecidos em seu interior. Nos novos tipos de interação que passam a ser possíveis, os consumidores / produtores (cf. CASTELLS, 2003) passam a participar ativamente na produção de conteúdo, tornando real a utopia do rádio ser um meio de duas vias, no qual ouvimos mas podemos ser também ouvidos, que foi defendida na década de 1920 pelo dramaturgo alemão Bertold Brecht (2005, p.42) em seu texto Teoria do rádio. Este é um exemplo do empowerment que o usuário passa a ter neste novo cenário comunicativo. No âmbito da educação, o uso destas redes socais resultou na quebra de paradigmas e na elaboração de novas metodologias de uso. Um possível uso para fins educativos pode vir da webrádio e de suas redes sociais, as quais podem ser trabalhadas para contar histórias em uma narrativa transmídia. Baseada no quadro do rádio da metade da década de 2000, no qual a interatividade era observada apenas em pedidos de músicas, perguntas em debates ou a participação em chats nas webrádios das emissoras, Trigo-De-Souza (2004, p.301) defendia que “o rádio pela Internet ainda tem inovado pouco no que se refere à interatividade”. No quadro atual a oferta de opções para a Interatividade aumentou com a popularização das redes sociais na Internet e seu uso pelas emissoras de radio.

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Por exemplo, hoje observa-se, ao consultar os websites das webrádios, que a maioria mantém uma página de contato com os fãs no Facebook. Isto tanto pode ser observado nas emissoras de grandes grupos midiáticos, como em pequenas emissoras existentes apenas na web. É por meio dessa página que a emissora expõe conteúdos e interage com a audiência, como, por exemplo, exibindo um video de alguma ação feita pela emissora e possibilitando, graças aos recursos do Facebook, a disponibilização de área para comentários sobre o conteúdo que foi apresentado e também o compartilhamento que gera uma recirculação do conteúdo. Em relação ao Facebook, esta rede apresenta números bastante expressivos. Em pouco mais de dez anos de existência ela passou a posuir a maior quantidade de usuários do mundo (ROSS, 2014), totalizando mais de 1,23 bilhão de membros ativos em todo o mundo no final de 2013, com mais de 757 milhões de membros logando-se todos os dias (SEDGHI, 2014). No Brasil a rede é citada como o website, blog ou rede social mais acessada do país de segunda a sexta (63,7%) e ao final de semana (67,1%), além de ser também o website, blog ou rede social mais utilizado para se informar (30,8%) (BRASIL, 2014, p.56-58). Este fenômeno de grande popularidade do Facebook é recente, tanto no Brasil quanto em Portugal. Esta rede tornou-se a principal rede destes dois países nos últimos cinco anos. No Brasil o Facebook superou o Orkut nos últimos meses de 2011 (TOZETTO, 2012), já em Portugal o Facebook ultrapassou a rede Hi5 no ano de 2009 (MARKTEST, 2009). Observamos, desta forma, a forte presença do Facebook na Internet. Também podemos observar a forte utilização dela na interação radialistas-usuários, como, por exemplo, no número expressivo de seguidores de grandes estações comerciais da rádio como a Rádio Comercial7 de Portugal, com mais de um milhão de seguidores. Na narrativa transmídia explorada pela emissora de rádio cada acesso aos conteúdos explorados deve ser autônomo, para que não seja necessário acessar um para poder acessar o outro. Jenkins (2009, p.138) afirma que “oferecer novos níveis 7

Disponível em https://www.facebook.com/RadioComercial?fref=ts Acessado em 11 de Agosto de 2014.

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de revelação e experiência renova a franquia e sustenta a fidelidade do consumidor”. Isso se materializa em programas exibidos em streaming direto que podem ter outros conteúdos como podcasts ou arquivos on demand com conteúdos de áudio relacionados ao tema apresentado, blog que explora informações sobre o tema ou vídeo que apresenta outras informações sobre o tema. Além disso, a narrativa transmídia também possui outra variável que define que “los prosumidores participam en la construcción del mundo narrativo”8 (SCOLARI, 2013, p.180); em que esta participação al producirse va cambiando, moviéndose y transformándose por sus múltiples autores, desde múltiples momentos y múltiples plataformas. Asi, pues, un mesaje transmidia no termina como tal: se transforma y se mantiene en potencia de continuar transformándose 9 (RENÓ e RUIZ, 2012, p.56).

Em relação a participação dos utilizadores na Internet, it is abundantly clear that the audience wants to contribute to the sphere of public communication. There are millions of people who regularly express themselves on the Internet. Facebook and YouTube demonstrate the range of techniques for participation that people engage in. They write, film, record, speak, edit, design, manipulate and publish their material in myriad ways, on myriad digital platforms 10 (NYRE e ALA-FOSI, 2008, p. 43).

Na verdade, “a natureza multimedia da web permite ultrapassar os limites estabelecidos entre rádio e os seus ouvintes; já não se pode mais falar de produtores e consumidores como papéis separados, mas que interagem em função de novas regras” (PIÑEIRO-OTERO e RAMOS, 2011b, p.67). Esta realidade demanda do produtor uma nova postura, a de mediador, para nutrir a relação entre a emissora e as redes sociais envolvidas na transmissão. “os prosumidores participam na construção do mundo narrativo” [Tradução dos autores]. “ao produzir-se vai mudando, movendo-se e transformando-se por seus múltiplos autores, a partir de múltiplos momentos e múltiplas plataformas. Assim, portanto, uma mensagem transmídia não termina como tal: transforma-se e se mantém em potencia de continuar transformando-se” [Tradução dos autores] 10 “É bastante claro que o público quer contribuir para a esfera da comunicação pública. Há milhões de pessoas que expressam-se regularmente na Internet. Facebook e YouTube demonstram a variedade de técnicas para a participação que as pessoas se envolvem. Elas escrevem, filmam, registram, falam, editam, organizam, manipulam e publicam o seu material de inúmeras formas, em uma miríade de plataformas digitais” [Tradução dos autores] 8 9

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É verdade que a interação já estava presente no universo radiofônico há bastante tempo, mas foi por meio da interação mediada pelo computador que o ouvinte / usuário passou a ter um empowerment de sua participação. Ela passou a ocorrer em múltiplas plataformas, dentro e fora da webrádio; ou seja, o ouvinte pode interagir dentro do website da emissora, por meio de seus recursos de interação, como chat ou e-mail, por exemplo, ou por meio de recursos exteriores que estão vinculados à sua produção, como contas no Facebook, Twitter, You Tube, Orkut, Google+, Go Ear entre outros. A participação do ouvinte não se delimita apenas ao conteúdo sonoro verbal transmitido em streaming direto, mas a todo o conteúdo multimídia da rádio na Internet, em que muitas vezes é exibida seguindo as diretrizes de uma narrativa transmídia. Sob o ponto de vista da educação, a webrádio e sua página no Facebook podem ser utilizados como ferramentas de e-learning, possibilitando o ensino a longas distancias para um público amplo, desde que logado à rede Facebook e com noções de uso dos sistemas utilizados, tendo de um lado, assim como as rádios universitárias, os estudantes, público alvo da emissora, e do outro lado os professores (PIÑEIRO-OTERO e RAMOS, 2011a, p.97-100). Tanto pode ser um produto elaborado pelo emissora e difundido para gerar um debate de ideias ou pode seguir, por exemplo, um modelo colaborativo descrito por Murphy (apud MINHOTO e MEIRINHOS, 2011, p.26) no qual há uma estrutura conceitual que baseia-se no princípio de que a colaboração é um processo contínuo de interação, que se inicializa com a socialização e se dirige para a produção de artefactos [baseado na seguinte sequencia:] 1) Presença social; 2) Articulação das perspetivas individuais; 3) Acomodar e refletir as perspetivas dos outros; 4) Coconstruir perspetivas partilhadas e finalidades; 5) Construir objetivos e finalidades comuns; 6) Produção de materiais partilhados.

Neste segundo caso, a montagem dos conteúdos é um processo colaborativo, no qual emissores e usuários (convertidos, desta forma, em produtores) passam a construir o conteúdo, em um processo em que produtores aprendem na prática (o ofício da produção radiofônica e também sobre o tema veiculado) e os ouvintes

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também aprendem com o produto realizado e com a discussão que é gerada com a apresentação dos conteúdos em múltiplas plataformas. Assim como aconteceu com as rádios universitárias, as possibilidades de montagem de uma webradio e de criação de uma página no Facebook para a interação com os usuários fizeram com que se destacasse una serie de potencialidades para la educación. Potencialidades entre las que destacan el refuerzo de la conexión con los nativos digitales, mayor entidad de los contenidos educativos, perfecta adecuación a un contexto multitasking, el paso hacia un paradigma de formación always on & everywhere, la interactividad, la configuración de espacios virtuales de aprendizaje o el desarrollo de una formación profesional 11 (PIÑEIRO-OTERO e RAMOS, 2011a, p.93).

4. Conclusão

No atual estágio das transmissões radiofônicas são explorados novos conteúdos que aproveitam-se das novas possibilidades tecnológicas oriundas da digitalização, que promoveram a emergência de transmissões vinculadas a websites (na figura da webrádio) e a redes sociais na Internet. Neste novo cenário ganha força a narrativa transmídia, a qual está integrada aos recursos interativos utilizados pelas transmissões radiofônicas, nos quais os usuários passam a desenvolver os conteúdos, tornando-se também produtores. Este tipo de ação pode ser utilizada nas modalidades de ensino, na figura do e-learning, na qual as ferramentas podem ser utilizadas no âmbito da aprendizagem em experiências de recepção e recirculação de conteúdos, como respostas para uma postagem feita pelo produtor do programa, ou na própria produção e divulgação de conteúdos, como em exemplos em que os próprios alunos produzem e também fazem parte dos receptores do conteúdo produzido. “uma série de potencialidades para a educação. Potencialidades entre as quais destacam-se o reforço da ligação com os nativos digitais, maior organização de conteúdos educacionais, perfeita adequação para um contexto de multitarefa, o movimento em direção a um paradigma de formação always on & everywhere, a interatividade, a configuração de espaços virtuais de aprendizagem ou o desenvolvimento da uma formação profissional" [Tradução dos autores] 11

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Redes como o Facebook também podem ser utilizadas para fins de ensino e aprendizagem no âmbito da utilização das webrádios para a narrativa transmídia. O espaço virtual pode ser utilizado para diálogos, avisos e apresentação de conteúdo, aproveitando-se as suas ferramentas de incorporação de produtos digitais feitos fora de seus domínios, como, por exemplo, vídeos. Esta plataforma, apesar de sua característica bastante informal, mostra-se bastante apropriada para experiências de ensino e aprendizagem formais.

Referências

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