Resumo: Fédon, da imortalidade da alma

June 3, 2017 | Autor: George Carlos Felten | Categoria: History, Plato, Socrates, Literatura, Teologia, Filosofía, Fédon De Platão, Filosofía, Fédon De Platão
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Resumo do livro de Platão intitulado:

Fédon, da imortalidade da alma. George Carlos Felten.

Este livro foi escrito por Platão. Porém, a história se passa com Sócrates (o mestre daquele). Sócrates tinha sido condenado à morte por envenenamento e, no dia da execução da pena, alguns amigos foram visitá-lo. O livro trata, basicamente, dessa conversa, onde Sócrates argumenta o motivo por estar tranquilo para a sua morte. Como todos sabem, para Sócrates o corpo e a alma são coisas totalmente diferentes. O corpo é visto como algo impuro, enquanto a alma como algo sem mácula. O filósofo busca sofrer o mínimo de influência possível do corpo sobre sua alma (mente, intelecto). Busca-se neutralidade. Sócrates parte do pressuposto de que a morte é a separação entre corpo e alma. Assim, na morte o filósofo poderá encontrar-se com a verdade, sem sofrer a influência de seu corpo corrupto. A morte, por assim dizer, é o momento mais esperado na vida do filósofo (embora ele não apóie o suicídio). Mas como saber se depois da morte, a alma também não morre? Através do argumento do paradoxo, Sócrates aponta uma possibilidade. Paradoxo da natureza diz o seguinte: tudo provém de seu inverso!

1) O sono provém da vigília (dormir); a vigília provém do sono (acordar) 2) Algo só cresce se for pequeno; algo só diminui se for grande; 3) Algo que se torna forte era fraco; algo que se torna fraco era forte. 4) Algo que se torna lento foi rápido; algo que se torna rápido foi lento; 5) Alguém que se torna corajoso tinha medo. Alguém que se torna medroso, tinha coragem 6) Se algo piora, é porque era melhor; Se algo melhora é porque era pior. 7) o que se torna justo, é porque era injusto; o que se torna injusto, justo. 6) etc. etc. etc.

Assim, alguém que passa a estar morto é porque estava vivo. E alguém que passa a viver, é porque estava morto. Os vivos provêm dos mortos e os mortos, dos vivos. Portanto, pela lógica socrática, a reencarnação é totalmente lógica, não tendo a ver com espiritualidade ou conceitos religiosos. É a razão pura. Se os vivos não provêm dos mortos e a morte for um fim em si mesma, como então tudo ainda não morreu? (não leva em conta a possibilidade de uma criação contínua de um Deus)

Outro argumento usado por Sócrates é o do conhecimento. O conhecimento, para Sócrates (segundo Platão) é lembrar-se de coisas que já se sabia. Em outras palavras, ninguém aprende algo que não saiba, já que a tudo que se aprende, a princípio, podemos fazer uma ligação com algo já sabido (construtivismo). De duas uma: ou se nasce com o conhecimento e o conservamos durante a vida, ou então, aquilo que aprendemos durante a vida é fruto de conhecimentos anteriores. Para ele, esta é uma prova de que a alma vive antes de se “encarnar”. Assim, a reencarnação é uma possibilidade para o pensamento lógico. Nascemos conhecendo o que é igualdade (embora nunca tenhamos visto nada realmente igual na natureza). O belo e o bom são conceitos a que comparamos todas as coisas a nossa volta, sem nunca termos visto algo plenamente belo e bom. Aquilo que a Escritura chama de vestígios da imago Dei, Sócrates diz que são indícios de vidas passadas, onde se adquiriu conhecimentos inatos. Assim, juntando os argumentos, ele diz: “se as almas existem antes do nascimento e se, necessariamente, para começarem a vida e existirem, não poderão provir de outra parte a não ser da morte do que está morto, não será forçoso que continuem a existir depois da morte, para renascerem?” Existem duas espécies de „coisas‟: as que mudam constantemente (visíveis) e as que permanecem mais imutáveis (invisíveis). Essas coisas que mudam constantemente podem ser destruídas por elementos naturais, porém aquelas que não mudam, não. A alma faz parte desta segunda classe de coisas. Assim, o corpo perece, mas a alma, para Sócrates, permanece eternamente. A alma, por parecer-se com a definição divina (invisível, pura, nobre, etc.), segundo Sócrates, vai para o lugar que se parece com ela. Assim, as almas dos filósofos que se dedicaram a purificá-la por meio do dobrar-se sobre ela em pensamentos (amar o saber - filosofar), tem a garantia mais segura de que irão para um lugar divino. A alma é manietada em um corpo e forçada a olhar a realidade por meio dele, como um prisioneiro olha o mundo por meio da grade. A filosofia, sutilmente, estimula a alma a perguntar-se se a realidade que ela só consegue perceber por meio do corpo (sentidos) é mesmo pura. O que é a verdade? Uma lei do carma é perceptível: as almas que entraram tanto em contato com as imundícias do corpo, terão uma reencarnação em corpos de animais da índole de seus vícios (glutonaria, por exemplo, ou orgulho, ou embriaguez, encarnarão em corpos de asnos e congêneres); Do contrário, os que praticavam as virtudes, voltam em forma de pessoas ou mesmo de animais mais sociáveis e mansas. (abelhas, formigas, etc.) Já os

verdadeiros filósofos pertencem ao ramo dos deuses e suas almas dobram-se em si mesmas, encontrando a verdade pura, finalmente. A filosofia é vista quase que como um messias libertador, que com jeito manso, vem mostrar a verdade. A alma aprisionada no corpo sofre, mas o maior e pior sofrimento é aquele que se deixa de aperceber: a cegueira do senso comum. Para que haja vida, deve haver a alma. Assim, se há morte, não há mais alma, pois esta não suporta a morte assim como o número três, embora não seja contrário ao par, não o suporta por ser ímpar. O três não recebe o par, portanto será sempre ímpar. Assim, também, se a alma não recebe a morte, logo, só recebe a vida (é imortal). Portanto, a alma, para Sócrates (segundo Platão), é imortal. O ímpar, ao ver o par se aproximando eminentemente, deixa o três (que passará a ser 4, por exemplo), mas não deixa de existir! Assim, também, a alma deixa o corpo ao ver a morte de aproximando, mas não deixa de existir. Dá para perceber uma espécie de purgatório em Sócrates. Ele diz que os mortos chegarão ao Hades e serão julgados. Os classificados como de procedimento mediano, dirigem-se para o Aqueronte e sobem para as barcas que lhes são destinadas e que os transportam para a lagoa. Aí passam a residir e se purificam, e no caso de haverem cometido alguma falta, cumprem a pena importa e são absolvidos ou recompensados, de acordo com o mérito de cada um. Os reconhecidamente incuráveis, por causa da enormidade de seus crimes, roubos de templos, repetidos e graves, homicídios iníquos e contra a lei, e muitos outros do mesmo tipo que se cometem por aí: esses lança-os no Tártaro a sorte merecida, de onde não sairão nunca mais. Os autores de faltas sanáveis, embora graves – seria o caso dos que, num momento de cólera, usaram de violência contra o pai ou a mãe, mas que se arrependeram o resto da vida, ou os que se tornaram homicidas por idêntico motivo – todos terão fatalmente de ser lançados ao Tártaro. Porém um ano depois de ali caírem, as ondas jogam os assassinos para o Cócito, e os culpados de violência contra o pai e a mão para o Piriflegetonte. Arrastados, assim, pela correnteza, quando atingem a Lagoa Aquerúsia, alguns clamam a vozes os que eles mesmos mataram, outros as vítimas de suas violências; e ao acorrerem todos a seus brados, imploram permissão de passar para a lagoa e de serem recebidos. Se conseguem, com eles que os atendam, ingressam na lagoa, terminando logo ali seus sofrimentos; caso contrário, são mais uma vez levados para o Tártaro e deste, novamente, para os rios, prolongando-se, dessa forma, o castigo até conseguirem o perdão de suas vítimas. Essa pena lhes é imposta pelos juízes. Por último, os que são reconhecidos como de vida eminentemente santa, ficam dispensados de permanecer nessas moradas sub-

terrâneas e, como egressos da prisão atingem as regiões puras e passam a residir na terra. Entre esses, os que já se purificaram suficientemente por meio da filosofia, vivem daí por diante sem corpo e vão para moradias ainda mais belas do que as outras. Desiste de descrevê-las, a uma, por não ser fácil tarefa, à outra, por não dispor agora de tempo para tanto. Do que vos expusemos, Símias, precisamos tudo fazer para em vida adquirir virtude e sabedoria, pois bela é a recompensa e infinitamente grande a esperança.

Mas como ele tem certeza disso? Afirmar, de modo positivo, que tudo seja como acabei de expor, não é próprio de homem sensato; mas que deve ser assim mesmo ou quase assim no que diz respeito a nossas almas e suas moradas, sendo a alma imortal como se nos revelou, é proposição que me parece digna de fé e muito própria para recompensar-nos do risco em que incorremos por aceitá-la como tal. É um belo risco, eis o que precisamos dizer a nós mesmo à guisa da fórmula de encantamento. Essa é a razão de me ter alongado neste mito. Confiado nele; é que pode tranqüilizar-se com relação a sua alma o homem que passou a vida sem dar o menor apreço aos prazeres do corpo e aos cuidados especiais que este requer, por considerá-los estranhos a si mesmo e capazes de produzir, justamente, o efeito oposto. Todo entregue aos deleites da instrução, com os quais adornava a alma, não como se o fizesse com algo estranho a ela, porém como jóias da mais feliz indicação: temperança, justiça, coragem, nobreza e verdade, espera o momento de partir para o Hades quando o destino o convoca.

Por isso, Sócrates não tinha medo da morte (segundo este escrito), visto ter uma esperança e um confiança nos seus méritos, devido à sua entrega à filosofia e negação dos desejos corporais.

Fonte: Versão eletrônica do diálogo platônico “Fedão” Tradução: Carlos Alberto Nunes Créditos da digitação: Membros do grupo de discussão Acrópolis (Filosofia Homepage do grupo: http://br.egroups.com/group/acropolis/

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